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domingo, 7 de setembro de 2025

No Ritmo das Bandas Marciais

 

O Jornal Clarim Natal/RN prossegue nesta edição apresentando entrevistas com maestros de Bandas Marciais, Fanfarras e Orquestras.

Confira a entrevista com a Maestrina Gabrielly Cristinny da Banda de Música da Escola Agrícola de Jundiaí

Gabrielly Cristinny Bezerra de Lima (Gabrielly Bezerra), 21 anos de idade, solteira, nasceu em Natal e mora atualmente em Macaíba. 

Além de regente da Banda de Música da Escola Agrícola de Jundiaí há 3 anos, é aluna da graduação de Engenharia Florestal da UFRN; é cantora, “cantei em alguns casamentos e gravo para Internet covers de música”, falou. Ao mesmo tempo que é regente de banda, também é integrante de banda, a Banda Marcial Doutor Severiano.

JORNAL CLARIM NATAL/RN - Como chegou a ser Regente?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - Desde 2019 eu sou ligada a bandas, fui integrante na escola onde concluí meu Ensino Médio, toquei no bumbo em meu primeiro ano de banda e fiquei apaixonada de cara, e bem em relação à banda que estou hoje. 

Eu já conhecia a BMEAJ, antes mesmo de ser regente da mesma. Desde criança, quando eu via a Escola Agrícola desfilando, sentia vontade de entrar na instituição para fazer parte da banda, até que em 2022 entrei na EAJ/UFRN. 

E em 2022, iniciou minha caminhada como regente e eu nem sabia, pois o regente da época estava bem ocupado com sua vida pessoal e trabalho, então sempre que ele faltava eu já tomava a frente para não perder os dias de ensaio, mas eu não era oficialmente a regente. 

Então, no ano de 2023 saí do Tarol e comecei a aprender Clarinete sozinha pois, sempre achei o naipe o mais interessante e no mesmo ano virei sub-regente. 

Até chegar nos dias de hoje como regente da BMEAJ. Tive o apoio desde sempre de amigos, principalmente da Ana Maria, minha melhor amiga e da minha Coordenadora Professora Viviane.

JORNAL CLARIM NATAL/RN - A Banda de Música da Escola Agrícola de Jundiaí (BMEAJ) possui coreógrafo(a)?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - Não temos coreógrafo

JORNAL CLARIM NATAL/RN – Qual a importância de estar à frente de uma Banda Marcial como Maestrina?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Desde 2019 sempre estive ligada com o mundo das bandas. Desde aquele tempo, eu sinto que já estava sendo moldada para o papel, mesmo sem nem sequer pensar em ser. E é muito importante no meu caso, pois é uma banda que eu sempre admirei desde criança. A BMEAJ sempre foi referência para mim. 

Então, é muito gratificante estar à frente da banda que eu tanto sonhei em estar e dessa forma conseguindo mudar vidas através da música.

JCN - Quantos anos tem a Banda de Música da Escola Agrícola de Jundiaí (BMEAJ)?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - A BMEAJ tem mais de 40 anos de existência, ativa desde de os anos 60, porém só oficializaram a BMEAJ como projeto de extensão no ano de 2012 e em 2014 a coordenação da banda foi assumida pela professora Viviane Medeiros, que continua sendo a atual coordenadora geral.

JCN - A Banda Marcial já ganhou premiações? Quais?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - Apenas premiação de participação 

JCN - A Escola Agrícola de Jundiaí (BMEAJ) é composta por quantos componentes?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - Atualmente temos 50 componentes, mas em seus anos de glória a BMEAJ já chegou a ter 120 componentes.

JCN - Qual o diferencial da Banda de Música da Escola Agrícola de Jundiaí (BMEAJ)?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA - O nosso diferencial além dos sopros e liras, desde que conheço, antes mesmo de ser regente, nós somos uma banda de música. Então não somos limitados, apenas a apresentações de forma marcial em desfiles. Temos grupos de concerto com pessoas com talentos, além dos instrumentos de bandas marciais e fanfarras.

JCN - Qual é a sua grande vitória como regente? 

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – A minha grande vitória é ter conseguido ser a PRIMEIRA REGENTE FEMININA da BMEAJ.

Nunca houve uma liderança feminina à frente da banda, isso foi marco histórico na banda e um marco histórico na minha vida também. 

JCN - As Bandas Marciais e Bandas de Música são espaços de inclusão social? Por quê?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Porque nas bandas conseguimos ser nós mesmos, é nas bandas que são formados grandes laços de amizades e laços fortes no geral; é onde sentimos que pertencemos a um lugar, que somos aceitos e acolhidos mesmo com nossas diferenças.

JCN - Na realidade, qual o papel social das Bandas, Fanfarras e Orquestras?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – O papel das Banda de forma social é incluir, abranger todos os tipos de pessoas, é ajudar pessoas através da música, sejam elas negras, pobres, de diferentes orientações sexuais, de algum nível do Espectro Autismo, tirar elas da ansiedade, da depressão, evolução da coordenação motora, aprender de fato a mudança que a música faz na vida de uma pessoa.

JCN - Qual a atual situação das Bandas Marciais, de Música, Fanfarras e Filarmônicas com relação ao apoio do poder público?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Felizmente a nossa arte, ela a mais pedida é conhecida em meio público/político, mas infelizmente não é tão valorizada quanto gostaríamos que fosse. Algumas bandas são extremamente apoiadas pelos seus estados, suas cidades, enquanto outras precisam praticamente suplicar para conseguirem o básico.

JCN - Você acha que onde existe o trabalho com jovens envolvidos com Bandas Marciais o cenário se transforma? Por que?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Sim, os jovens são a vida do nosso futuro, a banda transforma jovens que estão na monotonia da vida para jovens ativos e com um objetivo, e que por onde passam abrilhantam o lugar.

JCN - Quais os principais desafios para colocar uma Banda na rua, através de desfiles cívicos?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Um dos principais desafios, no meu caso, é a falta de apoio que mal vem da instituição. Não recebemos verba para materiais, para instrumentos novos, nossa forma de manutenção é muito baixa, tiramos do nosso próprio bolso para conseguirmos fazer o mínimo e ter o mínimo, sem contar que o transporte tem ficado cada vez mais complicado a cada ano que passa. Acho que as pessoas de fora que sempre olham para a BMEAJ pensam: "eles devem ganhar tudo da UFRN", mas para falar a verdade é a nossa coordenadora Viviane, os bolsistas e alguns colaboradores e amigos envolvidos como Artur Dantas (regente da BMDS), que dão quase a vida para que o projeto continue, mesmo em meio a adversidade.

JCN - Algumas Bandas Marciais vêm desaparecendo. Você acredita que o motivo seria um reflexo da desvalorização da cultura local, bem como a ausência de atividades regulares de arte nas escolas, que inclui ensaios permanentes?

MAESTRINA GABRIELLY BEZERRA – Sim acredito, pois como falei, a nossa arte é muito solicitada, mas pouco apoiada, a música em si nas escolas tem sido deixada de lado, e então acredito que as bandas, músicas, marciais, fanfarras e filarmônicas, seja uma forma de resistência, porque afinal, o que seria de nós sem a música para embalar os nossos dias? 

Seríamos como sacos vazios e corações pesados, somos a arte que preenche vidas e abrilhanta avenidas.

 

 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Onze anos de Banda Marcial e muitos Sonhos

 

Vou contar a história de amor de uma menina, hoje adolescente por Banda Marcial e seus instrumentos, que aos dois anos de idade ela já acompanhava sua vovó a vários eventos, entre eles os desfiles cívicos escolares, já que ela fazia registros fotográficos. E sempre estava a menina a seu lado, vendo as bandas, ouvindo as músicas e conhecendo os maestros.

Tudo isso para ela, pequenininha, a impressionava. Até que exatamente aos 2 anos de idade, ela iniciou na escola, onde desfilou pela primeira vez como mascote da banda, inclusive tocando prato (ou fingia que tocava, risos…).

Por ser tão pequenina, chamava atenção…


Aos 4 anos, a menina mudou de escola e também de Banda Marcial, continuando a tocar, porém no novo colégio, continuou tocando pratos e sendo mascote.

Ela cresceu, aumentou o tamanho dos pratos e ela lá na Banda...


                                                

Até que aos 8 anos expressou sua vontade de passar de mascote para componente e tocar dentro da banda. E assim aconteceu: tocava pratos, desta vez fazendo parte dos componentes.

Os anos passaram, ela cresceu e aos 11 anos já sonhava em tocar outro instrumento, desta vez a caixa.

Foi aí que o Maestro da Banda fez um teste com ela para poder passar para um novo instrumento (caixa). Resultado do teste... deu tudo certo… a menina passou a tocar caixa.

Desfiles diversos vieram e ela tocando... caixa. Mas, observando seus colegas tocando tarol, imagina o que aconteceu. 

E aí…? O que aconteceu?...Começou a sonhar em tocar tarol.

Desta vez, aos 11 anos, ela mesma falou do seu desejo em tocar outro instrumento ao maestro  e assim foi feito... Começou a tocar tarol. Mais um sonho realizado.

Hoje, a menina tem 12 anos e toca tarol. 

Você deve estar pensando… essa menina sonha demais… e agora? Será que ela continua sonhando?

Sim! Ela ama tocar tarol, mas… já sonha em quando tiver um pouquinho mais idade tocar o enorme Bumbo.

Pois é… ela sonha tocar Bumbo, aquele instrumento tão grande e pesado (kkkkk). Será que a menina vai aguentar?

Depois de toda esta história de amor e determinação e sonhos com a música, Banda Marcial e seus instrumentos, será que você que está lendo esta história já sabe ou desconfia quem seja?

Pois acertou… sou eu mesma.

Sou feliz e amo tocar na Banda do meu colégio o Absoluto Colégio e Curso. E a banda você já deve saber depois de tanto sonho que falei aqui… Banda Marcial Absoluto e o seu Maestro Fernando Acupe.

 

 

 

 

domingo, 2 de março de 2025

No Ritmo das Bandas Marciais

Você irá conhecer as diversas Bandas, como espaços de inclusão social e aprendizagem da juventude, tanto musical quanto cidadã, seus regentes, e desafios.



Confira a entrevista com o Maestro da Banda Marcial Felipe Ferreira de Urucará/Arez/RN Kaio Richardson Ribeiro Costa.

Kaio Richardson Ribeiro Costa, 19 anos, nasceu em Natal/RN, solteiro. Além de regente da Banda Marcial Felipe Ferreira de Urucará/Arez/RN, trabalha com seus pais e estuda Medicina Veterinária na UNP (Universidade Potiguar). “Sou apaixonado por música, e, além da banda, estudo um pouco de violino, clarinete e teclado, instrumentos que gosto muito”, destacou o maestro ao revelar que seu hobby preferido é a vaquejada. E disse: “Estou começando nesta área, caminhando aos poucos, mas já amo demais essa prática”. 

JORNAL CLARIM NATAL/RN – Há quanto tempo você é regente da Banda Marcial Felipe Ferreira de Arez/RN?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Eu iniciei como Maestro da Banda Marcial Felipe Ferreira em 2023, então já são dois anos de dedicação e aprendizado à frente da banda.

JCN - Como chegou a ser maestro/regente?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Minha trajetória como regente começou com uma paixão antiga por Bandas Marciais. Durante o ensino médio, estudei na Escola Antônio de Souza, em Parnamirim, onde tive a oportunidade de tocar na Banda Marcial Antônio de Souza sob a maestria de Alcilene Costa.

Foi meu primeiro contato com esse mundo que eu já admirava há muito tempo, e tocar ali foi a realização de um grande desejo.

A experiência foi tão encantadora que só reforçou meu amor pela música e pelas bandas marciais. Depois que terminei o Ensino Médio, não tive como continuar na Banda, mas descobri que aqui, na Escola Felipe Ferreira, haviam chegado instrumentos para formar uma Banda Marcial.

No entanto, o projeto estava parado, pois não havia ninguém para liderá-lo. Foi então que decidi conversar com a diretora Sueli, que acolheu minha ideia de tirar os instrumentos das caixas e transformar o sonho em realidade.

Começamos com poucos recursos, cerca de 15 instrumentos, mas com muito esforço e dedicação, conseguimos fazer o projeto crescer. Hoje, a Banda Marcial Felipe Ferreira é uma realidade que representa nossa comunidade, e tenho orgulho de ser seu regente desde 2023, liderando e inspirando outros jovens a viverem essa experiência incrível.

JCN - Qual a importância de estar à frente de uma Banda Marcial como maestro?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Estar à frente de uma Banda Marcial como maestro é uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma realização pessoal. É gratificante poder guiar meus alunos a trabalhar em equipe e contribuir para o crescimento deles, tanto musical quanto pessoal. Além disso, é incrível ver como a banda unir a comunidade e levar cultura e alegria para as pessoas.

 JCN - A Banda é composta por quantos membros?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Banda Marcial Felipe Ferreira de Arez/RN é composta por 80 componentes.

JCN - Qual é a sua grande vitória como regente?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Minha maior vitória como regente é ver um projeto como esse se desenvolvendo na minha comunidade, um lugar onde ninguém nunca imaginou que algo assim poderia acontecer. É muito mais do que uma banda; é um espaço de acolhimento para jovens e crianças, onde um sonho que um dia foi meu e também de alguns pais desses alunos se tornou realidade. A maior recompensa é perceber a alegria de cada um, seja nos ensaios, nos desfiles, nas brincadeiras ou até nos momentos mais emocionantes. É sobre o amor, os laços criados e a transformação que esse projeto trouxe para a vida de todos nós. Isso, para mim, é a maior vitória.

 

JCN - As Bandas Marciais e Bandas de Música são espaços de inclusão social? Por quê?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Sim, as Bandas Marciais e as Bandas de Música são espaços de inclusão social, pois oferecem acesso à cultura e à educação para jovens de diferentes realidades. Elas promovem o desenvolvimento pessoal, a colaboração e o pertencimento, criando um ambiente de respeito e oportunidades para todos.

JCN - Na realidade, qual o papel social das Bandas, Fanfarras e Orquestras?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - O papel social das Bandas, Fanfarras e Orquestras é promover a inclusão, o desenvolvimento pessoal e a integração comunitária. Elas oferecem oportunidades culturais, estimulam o trabalho em equipe e a disciplina, e ajudam na formação de cidadãos mais conscientes e engajados.


JCN - Qual a atual situação das Bandas Marciais, de Música, Fanfarras e Filarmônicas com relação ao apoio do poder público?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - A realidade do apoio do poder público às Bandas Marciais varia consideravelmente. Enquanto algumas cidades investem significativamente nessa área, outras tendem a se lembrar delas apenas em datas comemorativas, como o 7 de setembro. Infelizmente, não podemos afirmar que recebemos 100% de apoio do poder público; essa não é a realidade atual. No entanto, conseguimos conquistar algumas vitórias com a prefeitura local, embora tenha sido uma luta constante. Tivemos que persistir, insistir e correr atrás, já que a banda é um projeto educacional municipal acredito que o poder público deveria nos procurar, considerando que se trata de um projeto pertencente a eles.

Enfrentamos dificuldades em relação a materiais e fardamentos. Embora recebamos algum apoio, a luta é tão grande que, se não ficarmos em constante busca, nada chega.

JCN - Você acha que onde existe o trabalho com jovens envolvidos com Bandas Marciais o cenário se transforma? Por que? 

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Sim, eu acredito que o cenário realmente se transforma quando os jovens estão envolvidos em projetos como as Bandas Marciais. Hoje, esses jovens se ocupam com o projeto, se doam e deixam de estar nas ruas para estar nos ensaios. Aqui, eles aprendem a trabalhar em equipe, a respeitar uns aos outros e a cultivar carinho e amizade. Pessoalmente, não conhecia muitos dos jovens que são meus alunos hoje, mas a relação que criamos é de um amor e carinho imensos, principalmente quando nos encontramos pelas ruas. Eles têm um respeito enorme uns pelos outros e pelos colegas da banda. Além disso, o projeto fortalece o vínculo com a comunidade e também afasta os jovens de influências negativas, proporcionando um ambiente positivo e construtivo para seu crescimento.

JCN - Quais os principais desafios para colocar uma Banda na rua, através de desfiles cívicos?
MAESTRO KAIO RICHARDSON - A falta de recursos, desde materiais até logística de transportes.

JCN - Algumas Bandas Marciais vêm desaparecendo. Você acredita que o motivo seria um reflexo da desvalorização da cultura local, bem como a ausência de atividades regulares de arte nas escolas, que inclui ensaios permanentes?

MAESTRO KAIO RICHARDSON - Acredito que o desaparecimento de algumas Bandas Marciais seja o reflexo da desvalorização da cultura local e da falta de investimentos. Além disso, é importante ressaltar a desvalorização do responsável que fica à frente da banda. Ser regente de uma banda marcial não é apenas uma questão de amor; é um trabalho que exige dedicação, noites sem dormir, esforço para fazer fardamentos, correr atrás de materiais e participar de reuniões. No meu caso, por exemplo, é um trabalho realizado sem nenhum tipo de remuneração ou valorização. Muitas vezes, essa falta de apoio financeiro faz com que muitos não consigam continuar à frente da banda, pois precisam trabalhar para se manter. Isso é uma realidade em várias bandas que acabo conhecendo.

 

 

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

No Ritmo das Bandas Marciais

O Jornal Clarim Natal a partir desta edição retornaremos com as entrevistas com maestros de Bandas Marciais, Fanfarras e Orquestras.

Você irá conhecer as diversas Bandas, como espaços de inclusão social e aprendizagem da juventude, tanto musical quanto cidadã, seus regentes, e desafios.

Confira a entrevista com a Maestrina da Banda Marcial Presidente Roosevelt de Parnamirim/RN Alcilene de Lima.

Alcilene Costa de Lima, 25 anos, nasceu em Natal/RN, solteira. Além de regente da Banda Marcial Presidente Roosevelt de Parnamirim/RNum ano, apesar de totalizar cinco anos à frente de Banda Marcial, trabalha como recepcionista.

JORNAL CLARIM NATAL/RN - Como chegou a ser maestrina/regente?

MAESTRINA ALCILENE - Obtive o meu primeiro espaço ainda sendo aluna de uma Banda Marcial de Parnamirim em 2016, onde criei o amor e em 2018 assumi a minha primeira Banda Marcial e estou até hoje, em 2024.


JORNAL CLARIM NATAL/RN - Qual a importância de uma mulher estar à frente de uma Banda Marcial como maestrina? 

MAESTRINA ALCILENE - Representatividade, onde consigo expressar, estimular e ajudar mulheres a conquistar mais lugares de fala. E este ano, conquistamos dois lugares, pois existem duas mulheres a frente da minha banda, eu e Lenira Valeska. 

 

JCN - A Banda é composta por quantos membros? 

MAESTRINA ALCILENE - Atualmente, a Banda é composta por 50 alunos.

 

JCN - Qual é a sua grande vitória como regente? 

MAESTRINA ALCILENE - Conquistar o meu lugar no meio de tantos preconceitos, falas negativas de rebaixamento e olhares maldosos. 

 

JCN - As Bandas Marciais e Bandas de Música são espaços de inclusão social? Por quê? 

MAESTRINA ALCILENE - Sim! 

Atualmente na minha banda contém alunos com espectro autista, e com TDAH, laudado. Os próprios pais me procuraram após os desfiles e me informaram que a banda marcial ajudou bastante no desenvolvimento e gostaram bastante do resultado no final. A Banda Marcial deve ser um dos espaços de inclusão, e aconselho a professores e maestros a nunca negarem a entrada deles. 

JCN - Na realidade, qual o papel social das Bandas, Fanfarras e Orquestras?

MAESTRINA ALCILENE - A música tem o poder de juntar as pessoas, em qualquer área musical. Seja bandas fanfarras, orquestras, marciais… Elas oportunizam o aprendizado, integram o estudante no ambiente escolar e contribui para a melhoria de cada um. 

 

JCN - Qual a atual situação das Bandas Marciais, de Música, Fanfarras e Filarmônicas com relação ao apoio do poder público?

MAESTRINA ALCILENE - Precárias! Não temos recursos vindos do poder público, somos nós que fazemos o impossível para conseguir ir a um desfile, ou efetuar a compra de materiais e entre outras situações. 

JCN - Você acha que onde existe o trabalho com jovens envolvidos com Bandas Marciais o cenário se transforma? Por que? 

MAESTRINA ALCILENE - Sim, a música transforma vidas. E desta forma, podemos trazê-lo com mais facilidade para perto e tirá-los de locais onde não trará bons momentos.

JCN - Quais os principais desafios para colocar uma Banda na rua, através de desfiles cívicos? 

MAESTRINA ALCILENE - A falta de materiais é um dos primordiais, pois, se o instrumento não tiver adequado para o aluno(a), não podemos sair. Outro mais preocupante são os ônibus, onde leva e traz os alunos, que por muitas vezes é um valor alto a qual não conseguimos com os alunos e nem com a Prefeitura.

 

JCN - Algumas Bandas Marciais vêm desaparecendo. Você acredita que o motivo seria um reflexo da desvalorização da cultura local, bem como a ausência de atividades regulares de arte nas escolas, que inclui ensaios permanentes?

MAESTRINA ALCILENE - Infelizmente, sim!

E também da falta de interesse da prefeitura faz com que as escolas não tenham muitas escolhas em organizar bandas marciais. A grande maioria dos maestros não querem assumir tamanha responsabilidade por falta de recebimento, pois, é um trabalho voluntário, onde só assume quem realmente ama. E isso faz com que a cada ano veem desaparecendo as bandas.


domingo, 31 de julho de 2022

No Ritmo das Bandas Marciais

 


O Jornal Clarim Natal a partir desta edição realizará entrevistas com maestros de Bandas Marciais, Fanfarras e Orquestras.

Você irá conhecer as diversas Bandas, como espaços de inclusão social e aprendizagem da juventude, tanto musical quanto cidadã, seus regentes, e desafios.

Confira a entrevista com o Maestro Alexsérgio de Música Olival de Freitas (BAMOF)

Alexsérgio Ferreira dos Santos, 33 anos, nasceu em Piquri – Canguaretama/RN, casado. Além de regente da Banda de Música Olival de Freitas (BAMOF) há 16 anos, trabalha como professor de música e na área contábil.

 

JORNAL CLARIM NATAL - Como chegou a ser maestro?

ALEXSÉRGIO - Tive contato com a música aos 12 anos de idade, quando estudava o Fundamental II na aula de artes, mas não era nada técnico. Logo após entrei em uma Fanfarra da minha cidade, onde comecei tocando corneta, e em seguida conheci meu primeiro professor de música que dava aula na cidade vizinha (Pedro Velho-RN), que por acaso é Olival de Freitas. Foi aí onde comecei a estudar música, teoria e prática, no ano seguinte que foi em 2003. Eu comecei a ficar à frente como "maestro" da Fanfarra que eu tocava, e após esse período, que só durou um ano, eu juntamente com alguns amigos montamos a então Banda de Música Olival de Freitas (BAMOF), no qual eu sou maestro até hoje.  Nesse período, eu entrei na UFRN para estudar música, fiz o Técnico a princípio e atualmente faço Licenciatura em Música.

 

JCN - A Banda de Música Olival de Freitas é composta por quantos membros?

ALEXSÉRGIO – Mais de 100 pessoas, incluindo músicos, ballet e organizadores.

JCN - Qual é a sua grande vitória como maestro?

ALEXSÉRGIO - Acredito que repassar conhecimento para crianças e adolescentes seja uma das minhas grandes vitórias.

 

JCN - As Bandas Marciais são espaços de inclusão social? Por quê? 

ALEXSÉRGIO - Com toda certeza sim, são espaços de inclusão social. As bandas são celeiros, onde crianças, adolescentes, pessoas que sofrem alguma discriminação ou tenham problemas socias, possam desenvolver uma atividade que pode tanto ajudar em questões cognitivas, de desenvolvimento físico, psíquico, como na inclusão, e até mesmo podendo ajudar no seu futuro como um profissional do meio musical, dando- lhes muitas oportunidades.



JCN - Na realidade, qual o papel social das Bandas, Fanfarras e Orquestras?

ALEXSÉRGIO - Acredito que se resume em inclusão.

 

JCN - Qual a atual situação das Bandas Marciais, Fanfarras e Filarmônicas com relação ao apoio do poder público?

ALEXSÉRGIO - A música, de um modo geral é muito desvalorizada perante o poder público.  Eles não disponibilizam quase nenhum recurso para que as bandas possam se manter; eles gostam e sempre estão pedindo que as bandas se apresentem, com boa música, bom figurino, porém ajudar, dar pelo menos um suporte, não fazem.

 

JCN - A sua Banda recebe incentivo do poder público? 

ALEXSÉRGIO – Não. Somos uma banda sem nenhum tipo de ligação com órgãos públicos, mas o fato de não ter ligação não os impede de nos ajudar. Tudo é custeado pelos componentes, pais, ou ações e eventos que realizamos para arrecadar fundos, ou quando nos contratam para algum evento que pagam cachê. Nós sobrevivemos até hoje dessa forma.

 

JCN - Quais os principais desafios para colocar uma Banda na rua, através de desfiles cívicos? 

ALEXSÉRGIO - Para colocar uma banda na rua os desafios são muitos, acredito que o maior de todos é o investimento. Existem milhares de custos para uma banda funcionar, como por exemplo: compra de instrumentos musicais, fardamento, uma sede para poder ter onde ensaiar, ter aulas de músicas e dança, tanto a banda como o ballet, manutenção de instrumentos musicais, equipamentos extras como palhetas para instrumentos, estantes, impressora, óleos lubrificantes para os instrumentos, e muitas outras coisas.

 

JCN - Diversas Bandas Marciais e Fanfarras se acabaram, afetando diretamente a cultura e área musical. Em sua opinião, o que fazer para resgatá-las?

ALEXSÉRGIO – Primeiramente cada cidade deveria amparar essas instituições, dando um suporte para que elas tenham condições de funcionar. A primeira coisa seria destinar um prédio público para que se faça uma escola de música; segundo, contratar um bom professor de música, uma pessoa qualificada, com formação e experiência na área. e depois comprar pelo menos o básico de material, para que as aulas comecem a serem realizadas, e assim as bandas comecem a ensaiar e dar resultado.


JCN - Qual mensagem você deixaria para o poder público?

ALEXSÉRGIO - A arte e a cultura são fundamentais para a sociedade. Crianças e adolescentes estão ai perdidos, e a música pode ajudar a resgatá-los, a dar dignidade a eles, dar uma profissão, um lugar digno perante a sociedade, e não precisa de praticamente nada. O custo para fazer apenas o básico é pouco, o que falta é querer e fazer.

 

JCN - Qual mensagem você deixaria para os amantes das Bandas Marciais e Fanfarras?

ALEXSÉRGIO - Sempre estaremos aqui, fazendo os nossos "shows", pois independente de órgão público, nós fazemos porque gostamos, amamos. É difícil? É! Muito difícil, mas quando se faz algo com amor, sempre se dá um jeitinho para que tudo dê certo. Poderia ser muito melhor caso tivéssemos apoio das instituições públicas, mas por enquanto seguimos fazendo o que está ao nosso alcance.