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terça-feira, 19 de março de 2019

DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER É BANDEIRA DA BANCADA FEMININA NA ASSEMBLEIA



O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, marcou a luta das mulheres por igualdade e melhores condições de vida e trabalho. Nesse contexto, a nova bancada feminina da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, representada pelas deputadas Cristiane Dantas (PPL), Isolda Dantas (PT) e Eudiane Macedo (PTC), renovaram o tema como bandeira de atuação parlamentar na Casa Legislativa.

Prova disso é a renovação, por mais quatro anos, da Frente Parlamentar da Mulher, presidida por Cristiane, e que passa a contar agora com as atuais parlamentares da bancada feminina. A Frente foi criada em agosto de 2017 com o objetivo de fortalecer a luta pelos direitos da mulher através da união de esforços do parlamento estadual, órgãos públicos, entidades e movimentos sociais para a execução de políticas públicas que tenham a mulher como beneficiada.

"Estamos em uma nova legislatura e a Frente Parlamentar da Mulher vai retomar as atividades com a presença das novas deputadas, que aceitaram prontamente o convite e estão dispostas a colaborar com as ações que iremos realizar", destaca Cristiane Dantas.

Na Casa Legislativa, a deputada é autora da lei que institui as patrulhas policiais denominadas “Patrulha Maria da Penha”, buscando prevenir e combater a violência doméstica contra a mulher. É dela também a lei que formaliza o “Programa Maria da Penha vai às Escolas”, propondo o ensinamento de noções básicas sobre a Lei Maria da Penha no âmbito da rede pública de ensino. Outra proposta de sua autoria incluiu no Calendário Oficial do Estado o “Mês de Proteção à Mulher”, atribuindo a agosto o período para a promoção de campanhas e ações voltadas às temáticas femininas.

Igualmente comprometida com a causa, a deputada Isolda Dantas apresentou projetos de lei na Assembleia para subsidiar o enfrentamento da violência contra a mulher no Estado.

Dentre as matérias propostas pela parlamentar, consta a criação de um mecanismo de sistematização e divulgação de todos os dados da violência doméstica e familiar contra a mulher no RN, buscando subsidiar a construção de políticas de enfrentamento. O projeto carrega o nome de “Marielle Franco”, por ter inspirado a propositura e pelo marco de um ano de seu assassinato.

Uma segunda proposta é a criação da Procuradoria Especial da Mulher como um órgão da Assembleia para atender demandas internas e externas de acompanhamento de denúncias, fiscalização de execução de programas que visem a promoção da igualdade de gênero, autonomia, empoderamento e enfrentamento à violência contra mulheres e jovens, campanhas educativas e articulação de políticas transversais de gênero.

A parlamentar afirma que sempre fez parte da luta das mulheres nos movimentos sociais. “Aqui no parlamento estadual não poderia ser diferente. A política é ferramenta de transformação da vida das pessoas. Ecoando as vozes das ruas e roçados, o nosso mandato feminista e popular seguirá fazendo a luta por igualdade", explica Isolda.

A defesa da mulher também marca a trajetória política da deputada Eudiane Macedo, que enquanto vereadora de Natal, foi pioneira na criação da primeira frente legislativa no Estado em torno da temática. No Legislativo Estadual, a parlamentar defende a promoção de um trabalho na base da formação escolar dos jovens. “Enquanto Frente Parlamentar da Mulher, iremos às escolas, conversar com meninas e meninos, mostrar aos adolescentes como precisamos avançar e não reproduzir comportamentos machistas que ferem na alma e podem ferir no corpo também”, alerta ela.

Eudiane defende também maior visibilidade às mulheres idosas que, segundo ela, muitas vezes são esquecidas pela sociedade e se tornam vítimas de familiares que se apropriam de suas aposentadorias, a chamada violência patrimonial. Nesse contexto, a parlamentar promoveu nesta sexta-feno dia 8, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, uma ação com idosas do Juvino Barreto. “Vamos levar uma tarde de carinho e de atenção para essas mulheres que tanto se dedicaram a suas famílias”, acrescenta a deputada.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

SEMUL lança campanha contra assédio no Carnaval

A ideia é estimular foliões e foliãs a fazerem fotos segurando placas com frases de efeito e postem em seus perfis com a rasthag #Natalcontraomachismo
Pelo terceiro ano consecutivo, a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SEMUL) coloca nas ruas, durante o período carnavalesco, sua campanha de conscientização sobre atitudes machistas.  Trata-se de uma ação bem-humorada, que leva mensagens de respeito à mulher, tendo a folia momesca como pano de fundo.
A ação será realizada tanto nas redes socais da Prefeitura do Natal, quanto nos polos onde acontece a programação do Carnaval Multicultural. O lançamento acontece nesta quinta-feira (08) a partir das 10h, no Salão Nobre do Palácio Felipe Camarão.
A campanha se fundamenta no fato de que, durante o carnaval, são frequentes comportamentos de desrespeito por parte dos homens em relação às mulheres, como beijos e abraços forçados, puxões de cabelo, de braços e cantadas agressivas. Tais atitudes são configuradas como assédio contra a mulher.
A ideia é estimular os foliões e foliãs a fazerem fotos segurando as placas com as frases de efeito e postem em seus perfis com a rasthag#Natalcontraomachismo. As mesmas artes das placas serão publicadas nas redes sociais, para que sejam difundidas as mensagens de paz e boa convivência entre homens e mulheres.
“Queremos contribuir para a construção de uma cultura de respeito em relação à mulher, para que ela possa se sentir à vontade para circular onde deseja, sem que seja submetida a situações de assédios e até de violência de gênero”, pondera a secretária da SEMUL, Andréa Ramalho.
A intenção, porém, é que essa mudança de atitude não aconteça apenas durante o período de Carnaval, mas que se estenda para o convívio diário e, consequentemente, reflita na redução dos casos de violência contra a mulher.
De acordo com pesquisa realizada pela Universidade Federal Ceará, Instituto Maria da Penha e financiada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, com o apoio do Instituto Avon, 27% de todas as mulheres com idades entre 15 e 49 anos já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida, e 17% das nordestinas foram agredidas fisicamente pelo menos uma vez na vida.
As cidades de Salvador, Natal e Fortaleza estão entre as mais violentas ao longo da vida das mulheres, com prevalência de 19,76%, 19,37%, e 18,97%, respectivamente.

Sobre a SEMUL

A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres tem, entre outras atribuições, propor, apoiar e desenvolver políticas públicas voltadas para a promoção social, cultural, profissional, econômica e política da mulher no âmbito do município, de forma articulada com órgãos e instituições afins, independente da classe, raça, etnia, orientação sexual e religião. É ainda papel da Secretaria da Mulher, desenvolver ações de prevenção e combate a todas as formas de violação dos direitos e de discriminação contra as mulheres, com ênfase nos programas e projetos de atenção à mulher em situação de violência.

Onde procurar ajuda:

SEMUL
Rua Princesa Isabel, 799 – Cidade Alta – Natal/RN
(84) 3232.1039 / 3232.9283 / 3232.1036 / 3232.1045

Centro de Referência Elizabeth Nasser
Telefones: 3661.8332 / 3232.4875 e 0800.281.8000

Denúncias:
3232.1036 / (84) 3232.4875 / Ligue 180 (ligação gratuita)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Levantamento detalha violência contra a mulher em Natal


Foram analisados dados dos atendimentos feitos pelos equipamentos da SEMUL de 2013 até agora

Estagiários do curso de Psicologia da UFRN, Victor Belarmino, Janine Araújo e Letícia Lívia debruçaram-se sobre os dados dos atendimentos realizados pelo Centro de Referência Elizabeth Nasser e Casa Abrigo Clara Camarão - da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SEMUL). Com base nos números, traçaram um perfil da situação da mulher atendida por esses equipamentos nos últimos três anos.
Primeiramente eles compararam os números absolutos de atendimentos realizados desde 2013 até agora, por semestre. O período que registrou maior alta foi o segundo semestre de 2015 (79), seguido pelo primeiro semestre do mesmo ano (65) e pelo primeiro semestre de 2016 (54).
A maioria da demanda é proveniente da zona norte da capital, com 72% do total, seguida pela zona oeste, com 15%. Essas mulheres têm idade entre 19 e 40 anos e são predominantemente de cor parda (47%) e negra (9%). O índice de mulheres que se dizem brancas ficou em 26,9%.
Em relação à escolaridade, 35% disseram ter o Ensino Fundamental incompleto, 25% o Ensino Médio completo e 17,9%, o Ensino Médio incompleto. A maioria disse estar em uma união estável (51%), e o percentual de solteiras e casadas empatou: 19%.
Sobre a ocupação, 25% informaram estar desempregadas e 15% se disseram donas de casa. O percentual de autônomas ficou em 14%.
De todos os dados compilados, o que mais impressiona são os referentes aos tipos de violência sofrida pelas mulheres. A maioria delas, 66%, relataram ter sido vítimas de mais de dois tipos de violência, enquanto que 16% disseram ter sofrido todos os tipos: física, psicológica, patrimonial, sexual.
O agressor em sua maioria é o parceiro, relatado por 90% das mulheres, e o local onde ocorrem os episódios de violência é a residência onde o casal vive. O quadro de agressões já vinha ocorrendo há mais de dois anos, de acordo com o depoimento de 60% das mulheres. E o motivo descrito por elas é o ciúme, segundo 41% delas.
A frequência das agressões sofridas por elas era diariamente (37%), uma a duas vezes por semana (13%) e nos finais de semana (11%). A maioria das mulheres atendidas pelos equipamentos da SEMUL (86%) são encaminhadas pelas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAM). O restante procura o serviço por iniciativa própria. E a maioria já chega aos equipamentos com o registro da queixa contra o agressor (76%).
O levantamento realizado pelos estudantes será utilizado pela SEMUL para futuras ações direcionadas à orientação nas comunidades sobre onde buscar ajuda em caso de violência contra a mulher, de acordo com a secretária Aparecida França.
“É sempre muito rica essa troca de saberes e experiência entre a Universidade, através dos estagiários que recebemos, e nossa equipe de servidores, pois resulta sempre em melhorias para os serviços das políticas públicas e, consequentemente, para o atendimento às mulheres em situação de violência”, aponta Aparecida.