Apesar das discordâncias, Mujica e o papa Francisco conversaram longamente, no Vaticano
A notícia de que o papa Francisco teria dito, em um encontro
com jovens sacerdotes na Itália, que já fumou maconha, surpreendeu o
Vaticano. Até agora, a Santa Sé não confirmou, ou desmentiu, a notícia
veiculada em um site sensacionalista italiano, o Net1News, mas analistas não acreditam na veracidade da publicação. O site, em uma matéria editada nesta quinta-feira, afirma que “o papa
Francisco, líder maior da Igreja Católica Apostólica Romana, teria
afirmado durante um jantar com jovens sacerdotes que já fumou maconha:
‘Em 1954, quando eu era um segurança de um pé sujo em Córdoba, eu me
permiti fumar um baseado oferecido por alguns amigos’, disse o papa”.
“O encontro foi por acaso em um curso da Missa Crismal da
Quinta-feira Santa e no almoço que foi oferecido depois, pelo Bispo,
juntamente com um grupo de sacerdotes, como regra uma antiga tradição. O
Papa Francisco, se juntou ao grupo de sacerdotes de surpresa. Na mesa,
junto com o santo padre, estavam oito sacerdotes da diocese romana e ao
conhecer os jovens sacerdotes, agiu de acordo com sua experiência como
diretor espiritual no seminário, e respondeu uma série de perguntas
feitas pelos jovens presentes”, continuou a publicação.
– Eu não julgo quem usa drogas leves, mas não concordo com o governo
argentino que vem trabalhando uma possível legalização, mesmo que em
pequenas quantidades para uso pessoal – teria dito o líder da Igreja
Católica.
Conservador
O que retira a credibilidade das afirmações, no site italiano, é o
fato de o papa Francisco ter deixado claro o seu lado conservador ao
criticar, em dezembro passado, a liberalização do uso das drogas, em uma
citação indireta à decisão de o presidente do Uruguai, Pepe Mujica,
liberar o plantio e o uso da maconha
em seu país. Segundo avalia o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor
da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de
São Paulo, “o papa Francisco é um papa conservador em todas essas
grandes questões”.
Para Santos Costa, o pontífice expressou uma “opinião corajosa, nada favorável a uma mentalidade hoje de liberalismo”.
– Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias
partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a
influência da dependência química – disse o papa Francisco, em uma
declaração durante discurso na cerimônia de inauguração de uma ala
dedicada ao atendimento de dependentes químicos no hospital de São
Francisco da Penitência, na Tijuca, Zona Norte do Rio, durante sua
visita ao Brasil, no ano passado.
Na ocasião, o pontífice também afirmou que o tráfico de drogas “semeia a dor e a morte”.
Fonte: Correio do Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário