Dinheiro é repassado para custear pesquisas, políticas de gênero e gastos administrativos

No momento em que se discute a realização da reforma política, onde financiamento público de campanha - decorrente do fundo partidário - é uma das pautas, os valores distribuídos pelo fundo ressaltam o debate. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até o momento, já foram distribuídos entre os partidos R$ 147 milhões. Contudo, a previsão é que, até o final deste ano, eles recebam cerca de R$ 300 milhões.
Contudo, as siglas possuem critérios díspares de distribuição dos
recursos entre os Estados. Enquanto PMDB, PSDB e PSB adotam o critério
de proporcionalidade ao número de votos obtidos por cada estado à Câmara
dos Deputados, PT e PSOL utilizam o número de filiados para distribuir
os recursos. No caso do DEM, o deputado federal e presidente Estadual da
sigla, Mendonça Filho, não soube responder.
A Lei nº 9.096/95 determina que 20% dos gastos sejam destinados a um
instituto ou fundação de pesquisa e 5% para políticas de gêneros, os
gastos administrativos não podem superar os 50%. Diante disso e das
variáveis mensais que sofrem a arrecadação das verbas, as legendas em
Pernambuco recebem mensalmente, em média, segundo as lideranças
entrevistadas: PT R$ 70 mil; PMDB R$ 50 mil; DEM R$ 35 mil; PSDB R$ 30
mil; PSOL não recebe e PSB não informou.
Os partidos alegam que os gastos majoritários dos recursos acabam sendo a
manutenção da sede, custeio do corpo administrativo e com campanhas
institucionais.
“Os gastos majoritários (do DEM) são com o custeio da
máquina, não sobra sequer para os comerciais do partido, muitas vezes
precisamos recorrer ao Diretório Nacional”, declarou Mendonça Filho.
O primeiro secretário nacional do PSB e presidente da Fundação João
Mangabeira, Carlos Siqueira, explicou que, além da Fundação (20%) e da
política de gênero (5%) a sigla destina parte da renda a segmentos
sociais.
“O gasto com pessoal (do PSB) é muito baixo, em torno de 10%.
Destinamos uma parte dos recursos, sem percentual definido, para os
segmentos sociais organizados dentro do partido”, afirmou Siqueira.
Já o PSOL é o contraponto. Segundo o presidente estadual da legenda,
Edilson Silva, em oito anos de partido em Pernambuco, o PSOL só recebeu
recursos do fundo em quatro meses.
“A gente não consegue vencer a
burocracia do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Hoje, com mais de
quatro mil filiados temos perspectivas de usufruir do fundo”, disse
Edilson. Ele alegou que, atualmente, o financiamento da estrutura local é
feito a partir de ações entre amigos, rifas e, a maior parte, com
recursos dos militantes. Entretanto, Silva projeta que se recebesse
seria algo em torno de R$ 3,5 mil.
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