Foto: Divulgação

Lançamento da XII FECERN durante
confraternização/comemoração e/ou solenidade de posse da nova diretoria da
ASCONORT
O
processo eleitoral da ASCONORT (Associação dos Comerciantes e profissionais
Autônomos da Zona Norte) transformou-se em briga judicial e encontra-se sub
júdice, ou seja, ainda sem decisão definitiva da Justiça.
No
dia 27 de maio o desembargador Cláudio Santos
expediu uma liminar suspendendo a posse da diretoria eleita no dia 9 de
maio, enviando uma oficial de justiça ao local a fim de paralisar a cerimônia
que aconteceu em 28 de maio, às 20
horas no Paradise Recepções
e Eventos.
Segundo
o documento expedido a juíza da 14ª Vara Cível nomearia um interventor
judicial. No entanto, atendendo
à uma solicitação jurídica da diretoria eleita, o desembargador revogou sua
decisão, dando poderes ao presidente Alderi Mendes de administrar a Associação.
A chave da sede e todos os documentos foram repassados à nova presidência.
Todavia, a situação da ASCONORT ainda está sub júdice.
A decisão
do desembargador Cláudio Santos citava o seguinte texto: "Ante o
exposto, defiro o Pedido de Reconsideração, para suspender a posse da nova
chapa eleita, determinando que o Juízo de Primeiro Grau, imediatamente, nomeie
interventor para assumir a administração da ASCONORT, até ulterior deliberação
da Terceira Câmara Cível”.
Um dia
depois da determinação do desembargador foi realizada a então cerimônia de
posse da nova diretoria. No local, se encontrava a oficial de justiça com
liminar para paralisar o ato, mas a informação foi que a posse já havia
acontecido no dia 16 de maio e a posse, indicada no convite passou a se chamar confraternização
de amigos para comemorar a vitória da chapa eleita. No mesmo evento aconteceu o
lançamento da XII FECERN.
Segundo
o diretor
Técnico do SEBRAE/RN João
Hélio Cavalcanti,
“As questões jurídicas serão solucionadas e pela informação que tenho está tudo
resolvido. O mais importante é que a Associação retome com todas as atividades,
com todos unidos para que nós possamos fazer o desenvolvimento dessa região”,
avaliou.
Existem ainda vários processos debatendo a
legalidade da comissão eleitoral.
“Se
cada empresário que estava na chapa 1 ou 2, entender que esse processo passou e
reconstruir, recomeçar, o momento é esse, o Sebrae estará à disposição pra
fazer o planejamento estratégico, dar todo o apoio necessário durante as
feiras, a capacitação, os eventos que virão”, ressaltou João Hélio.
Disputa pelo poder
A
disputa pelo poder de administrar a ASCONORT, que hoje possui a patente de uma
Feira de Comércio e Empreendimento da ZN que
gera em torno de R$ 1,5 milhão em negócios, envolve cerca de 300 expositores e conta
todos os anos com o apoio do Governo do Estado, Prefeitura Municipal de Natal,
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Banco do
Nordeste, já começa a chamar a atenção dos vários segmentos empresariais da
Zona Norte de Natal e de toda a capital potiguar, inclusive ultrapassando as
fronteiras do Estado. O fato chegou a chamar a atenção até da promotoria do
Ministério Público.
Para
um sócio “uma das formas de se buscar a transparência, diante de tanta
informação contraditória, gerando incerteza para o associado, seria a
realização de uma auditoria desde a fundação da Associação”, falou o empresário
revoltado.
Após
12 anos sem eleição a ASCONORT realizou seu primeiro pleito para escolha do
novo presidente, no dia 9 de maio, no salão paroquial da Igreja Santa Maria Mãe
no Conjunto Santa Catarina, Zona Norte de Natal, onde apenas uma chapa
participou da disputa, sendo eleito o empresário Alderi Mendes.
Atualmente a FECERN (Feira do Comércio e
Empreendimentos da Zona Norte) é uma marca
registrada da ASCONORT, já publicada no RPI (Revista da Propriedade
Industrial), o Diário Oficial do INPI (Instituto Nacional da Propriedade
Industrial), órgão federal que cuida de todos os registros de marcas no país. A
realização foi um marco na história da
Associação, realizada na última gestão que teve a frente Roberto Stone.
Alderi
Mendes foi eleito para administrar a ASCONORT pelos próximos dois anos e obteve
75% dos votos válidos, equivalente a 73 votos e 17 entre nulos e brancos,
totalizando 90 votos.
A
Associação teve à sua frente, durante dez anos a presidente Irene Adalgiza e os
dois anos seguintes ainda sem concorrência foi aclamado o segundo dirigente,
Roberto Stone, aprovado pelos associados. Só nesta última administração foi
aberto o edital de convocação, onde foi retirada a comissão para conduzir os
trabalhos das eleições que se transformou num imbróglio judicial, onde o
processo eleitoral e o dia da votação foram considerados por muitos como tenso.
Até o encerramento do pleito foram impetradas onze ações contra a Comissão
Eleitoral e a ASCONORT.
A polêmica
Para
a sócia fundadora Maria Luduvina da Costa os fatos ocorridos durante o pleito
virou polêmica. “Quero deixar bem claro que a minha posição na eleição não era
de comissão eleitoral e sim fiscal da chapa única. Se tornou uma grande
polêmica os fatos que ocorreram na eleição, onde onze processos foram gerados”.
De
um lado um grupo que tem a frente um membro do conselho fiscal da gestão
anterior que através de chapa única concorreu sozinho afirma que tudo está
legal e correto. Do lado oposto, outro grupo (ex-presidente, membros da
diretoria anterior e associados) alega ter havido muitas irregularidades, como
manipulação de votos; eleição de membro para a Comissão Eleitoral com menos de
30 dias de associado, quando o estatuto social da ASCONORT prevê pelo menos
seis meses; foram distribuídos comprovantes falsos de quitação de débitos para
sócios inadimplentes para que pudessem votar; e mais uma imensidão de
problemas.
Segundo
Luduvina “a ASCONORT somos nós sócios, temos que somar com a nova diretoria que
é sangue novo. Os adversários aproveitaram brechas pra detonar, e isso não é
bom”.
“O outro grupo
teve oportunidade de se inscrever e concorrer, mas ainda não sei o motivo de
não terem registrado sua chapa”, acrescentou Luduvina.
Ao ser
questionada se o motivo da polêmica disputa pela Associação seria a FECERN, ela
respondeu: “Não. Não sei o motivo porque não posso responder pelos outros”.
Ela disse ainda
que “em nome de tudo o que foi a ASCONORT até agora, apesar do meu ponto de
vista levarem para o lado errado, porque a ASCONORT não é só essa feira, tem
muitas outras coisas que a associação pode fazer em prol dos associados da Zona
Norte, dos comerciantes e profissionais liberais da ZN. Agora pra isso,
independente de estar em cargo de diretoria ou não, precisamos dar nossa
contribuição, somar e participar”.
Se dizendo
mediadora a fim de tentar solucionar os conflitos Luduvina afirmou: “O que
depender de mim vou ser a mediadora nessa situação. Alderi é quem vai
administrar a nova diretoria. Ele vai precisar contar tanto com um lado quanto
com o outro. Lógico que o sangue novo que está entrando é que vai fazer o
diferencial”, ressaltou.
Em conversa com
alguns sócios que não quiseram ser identificados temendo represálias ou uma
exposição maior, o desabafo foi geral dizendo: “O
regulamento foi pedido e nos foi negado, não vimos as normas da eleição
afixadas no local de votação e nem estavam com a presidente da Comissão
Eleitoral; Como sócios, pedimos a lista das empresas que estavam aptas a
votarem e nada nos foi mostrado e ainda havia dois tipos de identificação de
votos, um normal e outro num envelope branco”.
Outro
ponto crítico da eleição foi a presença da polícia próxima à entrada do local
de votação, o que deixou alguns moradores apreensivos, chegando a procurar
informações com a imprensa a fim de saber o que estava acontecendo na igreja.
Por outro lado, empresários repudiaram a presença dos militares, o que seria
“uma intimidação à classe empresarial”.
Na
opinião do sócio e ex-diretor da ASCONORT Antonio Sèrgio, “é muito triste
presenciar essa briga judicial, principalmente pelo motivo a que se dispõe
isso. As pessoas estão querendo entrar na Associação de qualquer maneira,
inclusive através de justiça. Ninguém está pensando no associado, que deveria
estar se beneficiando da Associação”, observa.
O
empresário afirma que é pouco tempo dois anos para administrar a instituição,
mas lembra que a gestão anterior cresceu o número de associados em mais de
100%, “é a credibilidade com compromisso de transparência, e não podemos deixar
voltar pra Associação aquelas pessoas que usaram a instituição dez anos,
simplesmente para se beneficiar dela. Isso não podemos permitir”, destacou
Antonio Sérgio.
Sobre
o pleito Antonio Sérgio comentou: “Eu posso falar porque além de associado fiz
parte da última gestão. E o que vi exatamente foram pessoas usando de todos os
métodos, inclusive ilegais, proibindo, ceifando, destruindo para de qualquer
maneira ter o poder dessa Associação, que no fundo não é associação, o
interesse maior não é pela ASCONORT. O associado da ASCONORT que se exploda.
Por isso que eu fico chateado como associado, porque o interesse é só aonde
gera o dinheiro que é na FECERN. Esse é o grande X da questão”, falou Sérgio ao
frisar que “A ASCONORT é maior do que qualquer feira”.
O
presidente eleito da ASCONORT Alderi Mendes não vê com bons olhos a Associação
se transformar em objeto de disputa judicial, “até porque não precisaria chegar
a tanto. Essa eleição, mesmo não tendo a disputa de duas chapas, eu vejo de uma
forma de desespero de uma pessoa que não sabe ainda o que é associação, não
entende nada de associativismo. Eu vejo como desespero da parte da gestão que
está terminando”, esclareceu o empresário.
Para Alderi a
FECERN, que hoje é uma marca patenteada da ASCONORT e um patrimônio dos
associados, é com certeza, o motivo desta disputa pela presidência da
Associação.
“Até porque
tenho poucos comentários da Irene a respeito disso, ela nunca entrou em
detalhes a respeito da patente. Eu sei que está na justiça, sei que a gestão
que terminou colocou na Empresa Marcas e Patentes e pelo que tomei conhecimento
mais recentemente que está concluído. E que a gente vai já ter uma feira com a
patente registrada junto à ASCONORT. Foram as informações que obtive. Agora, eu
sei que teve sim uma disputa entre essa questão”, ressaltou.
Entre as várias
propostas de Campanha de Alderi estão, a construção da sede própria em parceria
com SEBRAE e Banco do Nordeste com salas especiais para reuniões, cursos, área
de lazer para associados e família; Call Center ASCONORT; entre outras. “A
gente vai lutar por uma sede própria e dentre outros benefícios que não tem
praticamente nenhum para os associados. Vamos buscar algo que atraia mais
sócios”.
A primeira ação
do novo presidente, após a posse, será “organizar a Casa. Tem muita coisa
desorganizada, não sou de acordo com o local onde a sede provisória está
localizada, não vejo bom acesso, não tem estacionamento, não vejo interessante
para os associados. Então uma das primeiras alternativas é mudar a sede”.
Ao ser questionado
se o presidente recém eleito tem interesses políticos e se a Associação poderia
ajudá-lo politicamente em alguma candidatura, Alderi respondeu que “não no
momento. Pode ser que surja no futuro alguma pretensão política”. E prosseguiu:
“Meu intuito é trabalhar pra fazer um sócio satisfeito por ter satisfação em
fazer parte da Associação pela qual ela só tende a crescer, dependendo do
desempenho do atual gestor”.
Diante de um
pleito tumultuado, o novo presidente deixa uma mensagem aos associados: “A mensagem
que deixo para os associados é que eles aguardem um pouco mais a nossa gestão
começar a trabalhar, cair em campo, mostrar serviço, e que eles vão ter
resultado e vão ver uma Associação diferente, uma ASCONORT diferente. Eles vão
ter benefícios e começar a sentir gosto por ser sócio”.
Alderi Mendes
finalizou a entrevista afirmando que pretende não ir à procura do sócio. “Eu
pretendo em minha gestão não mais buscar o sócio. Acredito que pelo bom
trabalho que vamos fazer, o sócio vai procurar a Associação, as pessoas vão
procurar se associar”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário