Mar de água suja
NOVO JORNAL persegue rastro de sujeira e águas servidas nas praias
urbanas de Natal, incluindo Areia Preta, que já foi interditada por um
juiz federal
Matheus Soares/Jalmir Oliveira
DO NOVO JORNAL
Passados nove dias da decisão do juiz federal Magnus Delgado, que
interditou a Praia de Areia Preta por conta da poluição ambiental,
cinco pontos de despejo de efluentes continuam a lançar um rastro de sujeira e águas servidas a beira-mar.
O
NOVO JORNAL percorreu ontem as principais praias urbanas de Natal
(Forte, Meio, Areia Preta e Ponta Negra, bem como toda a Via Costeira)
para verificar a ocorrência de pontos de poluição. Constatou
que somente a faixa de Areia Preta apresentou pontos de vazão de esgoto e
acúmulo de lixo. As águas servidas são originárias de ligações
clandestinas feitas por moradores do bairro de Mãe Luíza aos canais de
coleta de águas pluviais, segundo informações da Secretaria Municipal de
Arquitetura e Urbanismo (Semurb).
A interdição de Areia
Preta, determinada pelo juiz Magnus Delgado, titular da 1ª Vara Federal,
ainda não foi cumprida. O 1,5 km de faixa de areia ainda não recebeu
tapumes, cordas, cones ou avisos de que aquela área de costa é
imprópria para banho. Nas proximidades da Capela da Praia de Areia
Preta, vizinho a um dos acessos ao bairro de Mãe Luíza, a tubulação de
águas pluviais vertia esgoto para a praia na manhã de ontem. O cheiro
forte de águas servidas denunciava o mau uso do equipamento.
O
esgoto também lançava lixo para as praias. Embalagens de produtos
alimentícios eram carreadas ao mar. No local de saída de
barcos pesqueiros da praia de Areia Preta, três bueiros jorravam esgoto
para a praia. O líquido, com tom verde-musgo, corria livre para o
mar. Não muito longe dali, duas mulheres se bronzeavam deitadas sobre as
areias.
Em frente ao restaurante Moqueca, próximo do bairro de
Mãe Luíza, outro bueiro despejava água servida para o mar. A língua
negra deixava marcas nas areias brancas. A cena, no entanto, não
impediu a realização de uma animada partida de futebol. Nas outras
praias visitadas pela reportagem, apesar dos bueiros apontarem
suas bocarras em direção ao mar, não foram flagrados pontos de descarte
de esgoto. Na praia de Ponta Negra, os bueiros que existiam – e que
foram destruídos pela força da maré em junho do ano passado, o que
também causou a interdição de alguns trechos da praia – foram tampadas
pelas pedras colocadas ao longo de toda orla para reforçar o calçadão de
Ponta Negra.
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