Delegado que cuida do caso pede ainda depoimentos de profissionais de imprensa na tentativa de identificar o suspeito de acender artefato
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Polícia mostra rojões similares ao que teria atingido o câmera
A Polícia Civil do Rio de Janeiro já está de posse das
imagens feitas pelo cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio
Andrade, atingido na quinta-feira gravemente por um artefato explosivo
durante a manifestação contra o aumento do preço da passagem de ônibus
municipal, no centro da cidade.
De acordo com o delegado titular da 17º DP (São
Cristóvão), Maurício Luciano, que está à frente das investigações, "o
próprio Santiago pode ter feito uma panorâmica (antes da explosão)
e ter gravado o autor do crime. A gente está analisando". Imagens da
Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), do Comando Militar do Leste
(CML), da prefeitura e da própria Supervia também auxiliarão na busca,
ao menos, pela fisionomia da pessoa que acende o rojão.
No entanto, Maurício Luciano explica que será difícil
identificar plenamente o suspeito nessas imagens de circuito da
Prefeitura, do CML e da CET-Rio, pois, pelo que já foi analisado, "as
imagens estão muito abertas, sem zoom, só uma panorâmica da praça e não
dá para individualizar a conduta".
Desta forma, ele pede para que profissionais de imprensa
que presenciaram o momento da explosão, como os jornalistas da rede
britânica BBC, por exemplo, deem o seu depoimento, em anonimato, para
auxiliar as investigações. "Tem o mesmo valor de uma prova técnica. Se
um cinegrafista ou jornalista visualizou o momento que essa pessoa
deflagrou (o artefato), isso já basta para gente", disse. A
repórter Fernanda Corrêa, que acompanhava Santiago no momento da
explosão, já prestou depoimento auxiliando as investigações.
A Polícia Civil também está em busca de imagens nas
redes sociais na internet em busca de alguma publicação que ajude na
elucidação completa dos fatos e na captura desse suspeito, que
responderá por tentativa de homicídio qualificado mediante uso de
explosivo, mais crime de explosão por causar perigo para as pessoas. A
pena pode chegar a 35 anos de reclusão, somados os dois artigos.
Foto: Daniel Ramalho / Terra
Sem dúvidas
Ainda de acordo com a Polícia Civil, não existem dúvidas de que o rojão que atingiu no rosto o cinegrafista da Bandeirantes trata-se de um artefato vendido livremente em lojas de fogos de artifício. Portanto, não foi algo utilizado pelas forças de segurança pública que atuavam na manifestação.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, não existem dúvidas de que o rojão que atingiu no rosto o cinegrafista da Bandeirantes trata-se de um artefato vendido livremente em lojas de fogos de artifício. Portanto, não foi algo utilizado pelas forças de segurança pública que atuavam na manifestação.
Segundo Ellington Cacela, especialista do esquadrão
antibombas da tropa de elite da Polícia Civil fluminense, trata-se desse
tipo de rojão, que é chamado de rojão de vara, ou treme terra. "Foi um
artefato pirotécnico que atingiu e vitimou o cinegrafista da
Bandeirantes".
Ainda de acordo com Cacela, o artefato tem cerca de 60
gramas de pólvora e, antes de ser deflagrado, conta com um pavil que
alimenta um propulsor antes da explosão final. É exatamente o que
mostra, por exemplo, a sequência de fotos do jornal O Globo, na qual
aparece nitidamente o objeto aceso no chão antes de ele tomar o caminho
junto ao rosto de Santiago Andrade.
"Fizemos um teste de controle no esquadrão antibombas,
fomos ao hospital ver a natureza das lesões, e nos levou a saber que foi
esse fogo de artifício", disse Cacela, salientando também que esse tipo
de explosivo, além de autorização prévia da norma R105, do Exército, só
pode ser solto com o auxílio de uma vara de pelo menos um metro de
comprimento e afastado ao menos 30 metros de onde circulam pessoas.
"É uma onda de pressão muito grande", afirmou. Essa
onda de pressão, ou o forte deslocamento de ar, foi o que vitimou o
cinegrafista. A roupa do profissional da TV Bandeirantes foi recolhida
para perícia, bem como fragmentos do explosivo foram retirados, nesta
sexta-feira, do local para auxiliar na elucidação do caso.
Fonte: Terra.com.br


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